terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Doce realidade

E me convidou para conversar
Aqueles olhos azuis como o lago que afogou Narciso
Aquelas mãos calejadas, sinais de tempos de trabalho
A voz me soava como segurança em pleno perigo
E o beijo... Como sonho que quando acaba, fazemos o possível pra acontecer novamente
E aconteceu... Uma, duas, três, quatro, cinco vezes até onde consegui lembrar
A alegria era tanta que mal tive tempo de parar e contar apenas experimentar
Se as mãos me seguravam, era para não deixar nada de ruim acontecer
Se os olhos me olhavam, mostravam eles que a minha beleza morava ali dentro
E se a boca me beijava, aquela me dizia quero mais...
É impossível deixar de lado a minha euforia, minha alegria
Aquela pessoa traz lembranças do tempo em que eu era feliz
E me faz feliz!
É pena eu sei, meu coração ainda não se deixou invadir por essa pessoa
Mas eu sei que ela é muito mais do que eu possa imaginar
Muito mais do que possa ver ou sentir
Livros, sabedoria, inteligência, conhecimentos são meras qualidades que só fazem humilhar
Posso conter todos essas qualidades e muitos mais, mas... Existe uma que maioria é incapaz de ter consigo: honestidade e humildade, dentro de si mesmo. E de maneira límpida.
Essa pessoa é de caráter maravilhoso, fiel as suas qualidades. Faz porque gosta, usa porque precisa, diz o que sente... É fiel à suas qualidades e não as tem como troféu de exibição.
As palavras são tão doces que nem parece estar neste mundo, e acaba me levando junto
Eu ouço aquela voz, doce rapaz...
Que passeia por ali, que eu observo com atenta atenção sem piscar
Que contemplo cada gesto, atitude e sorriso
Me toma pra ti, doce realidade que mais parece um lindo sonho
Me dê colo pra chorar [de rir], ombro pra sentir tristeza [de não conseguir retribuir tamanho sentimento], abraços pra sentir dor [de tanta força com que me aperta], cor nesse meu mundo, onde a única fagulha de tal cor ambulante sou eu.
Toma pra ti essa chave que simboliza agora meu amor e não um sentimento guardado,
faça com que minha vida tenha mais um sentido, além de estudos e trabalhos, um futuro incomum com noventa e nove por cento dos seres humanos da Terra.
Seja a companhia que viajará comigo, nas estradas aleatórias seguidas por nós, sobre duas rodas (Harley - Davidson).
Seja aquele que me fará companhia sobre/em baixo da coberta a olhar o céu.
Seja aquele que assim como eu, deixa de lado, a rotina que se faz corrente, as regras, as coisa que só valem a pena para quem nos colocou naquele caminho (sem direito à escolha).
Seja aquele que não se repreende por notas, jeito de ser, etiqueta, e tudo que só faz ficarmos constrangidos por não agirmos como manda o figurino.
É esse o caminho que quero trilhar nos momentos de liberdade, é por esse caminho que quero ti levar.
Dê - me a honra de sua presença (indispensável), viaje comigo, sorria comigo. Quero que faça parte de minha vida.
Cada movimento é um retrato seu feito pelos meus olhos, um sorriso por mais que envergonhado é um motivo pra ti amar mais. E esses olhos... Como eles me hipnotizam... Os olhos azuis como o lago que afogou Narciso.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Carta ao "amigo"

Se disser a verdade por detrás da mentira que se faz verdade haverá dor
E dizer que amor quanto mais partido se fortalece, não seria blasfêmia
Vestir algo que não ti combina, para disfarçar a dor intensa
Metaforicamente decepção se faz dor, e a mascara cobre
Quem melhor do que a mascara pra ver as lágrimas e senti - las?
Simplesmente não há!
Se é decepção, dor, amor. Sinceramente nunca fez diferença pra quem deu o tapa e escondeu a mão
O rosto que apanha já está cansado e surrado
Simplesmente não há do que rir!
Sorrir seria falso, quando a vontade é de chorar.
A rosa secou, a porta fechou e no chão o joelho tocou
Nunca fui assim... Nunca fui estranha, só um vulto de silêncio dos olhos crentes no amor.
É preciso mostrar um pouco do que se sente. Fiz jus, ti dei a decepção, se é que a sentiu.
Entendestes agora?
Nada do que vá me dizer vai aliviar isso, mas o que vai contribuir com esse sentimento doloroso é aquele nome.
Cada brilho, palavra, gesto que se refira a ela me pega pelo pescoço e enforca, deixando
em mim marcas de algo profundamente entristecedor
As palavras ferem mais que arma de combate, o que eu fiz foi retribuir
É minha defesa já que atacou sem dó nem piedade
Não tive peso, a importância dada a mim nunca existiu
Se o que eu digo fosse levado a sério, então teria pensado em meu sentimento sublime antes de dizer aquele nome.
Não preciso ignorar, não preciso bloquear, não preciso gritar
“O silêncio falará por mim".
Frases baratas são ditas, mas, mais barato ainda é meu amor. Não tem valor à você, nem mesmo cuidado para não feri - lo.
É sentimento meu e não seu ("É sentimento seu e não meu")
A dor é minha e não sua, e se hoje tenho tanto silêncio, (uma qualidade) devo isso a ti.
Antes de conhecer o silêncio, meus gritos me faziam ser o que eu nunca fui. E acabavam distanciando o que já estava distante
À distância... O amor não pode ser cultivado a distância, por isso me deste amizade (ou não).
Sinto muito se causei a impressão de rejeita - lá, nunca foi minha intenção.
Mas a verdadeira amizade é o que mais prezo, e amizade verdadeira é um fruto que nasce da união de dois seres, como se fossem irmãos
O meu parecer nesta união nunca foi realmente visto (nunca apareci), "quis acreditar numa mentira".
Carreguei por tempos essa mentira (ser amiga verdadeira), mas chega uma hora que a verdade sempre aparece, mas eu nunca fiz questão de esconde - lá
Você quem quis cobri - lá com o manto da amizade,
Mas a verdade é fogo que queima dentro de mim
Assim queimou esse manto,
“A verdade sempre prevalece”.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mosíah

Numa longa jornada deparei – me com um ser infeliz
Trazia consigo a doença da incógnita
Era drogado por ela e nela se viciava
Eis que eu continha a cura, mas precisava de uma prova
Uma prova de aquele ser não se drogaria novamente
Uma prova de aquele ser não iria me enganar.
O peguei pela mão e fiz imaginar um mundo novo
Disse que aquele mundo poderia ser real
Caminhamos juntos durante meses
E eu fui me drogando por aquele ser
Viciei e vi que havia mais uma razão para ajuda – lo
Eu havia caminhado muito e não me dera conta
Eu estava consciente, porém o meu inconsciente é que deveria estar consciente
Ao olhar nos olhos daquele ser, eu me via e dali em diante despertei
Os dias passaram, ambos nos silenciamos.
Foi que subitamente o ser respondeu
Disse sobre amizade que não desejava perder
Então disse que a amizade ainda estava viva (dentro dele).
E sorri (cultivei amor dentro de mim).
Aquele ser se envaidecia com meu amor
Achava – se o rei, eu o fiz assim, eu lhe dei este poder diante desse amor
Nunca parara e vira realmente os meus olhos
Tanto que num desespero olhou em outros
Cometeu a blasfêmia de dizer que os meus olhos eram inconfundíveis
Tanto que pensou os ter visto, andando pelas culturas litorâneas.
Eu sorri e disse que aqueles olhos não eram meus
Poderia ter dito que sim, ter feito aquele rei mais uma vez envaidecer
Mas não, disse a verdade por mais uma vez.
Os dias passaram, ambos silenciaram
O ser subitamente respondeu
“ – Perder a amizade é uma falta muito grave pra mim”
Mas dessa vez eu disse sobre o meu sentimento
“Jamais morrerei por você, se tenho esperança em seu amor por mim”.
Eu já não sabia mais o que dizer pra convencer aquele ser de que ele era importante pra mim, mas nem tanto assim. A ponto de eu morrer por ele...? Não...
Será que esse ser não vê que me magoa, parece que gosta de brincar com meu sublime sentimento. (“Chega!”)
Diga o que quiser, ser “incógnita”, eu já não me abalo mais diante de tanta frieza
Se, encontrou aquela que acha ser a esperada, então seja feliz!

Guardei por muito tempo este segredo
Queria dizer por mais de tempos, minha burrice diante de ti é criação de minha grande inteligência
Minha fragilidade é criação de minha grande dureza
Minhas lágrimas são criações de minha fraqueza (amor)
Fiz de tudo pra não ser superior a você
Escrevi errado, disse bobagens, cometi gafes, fui pelo torto
Fiz de tudo pra ver qual realmente era sua face
Depois de descobri – lá iniciei minha missão
Vi mascaras, vi fantasias de um baile onde eu me fazia “Bobo da Corte”
Pois bem... O Bobo se revelou diante da última dose do rei
Só que a face que o rei pensava já conhecer na verdade era só maquiagem
A face verdadeira jamais declama seu amor
Jamais é seca, por minutos ela se revelara
Mas o rei é cego e não vê a verdadeira face
Pensa ser o mais inteligente, de fato é
Mas esquece que como ele, há mais (O Bobo foi burro igual ao rei – o amou –).
Então o bobo se retira da festa agradecendo pelo trabalho a ele incumbido
Bate palma para o rei, mas a platéia não pode rir
O Bobo já não está mais com máscara
O Bobo por minutos se revelou
O Bobo chorou, sentiu seu coração partido, dançou com o rei, sentiu – se brinquedo
Mas o Bobo sabia que o rei era cego
Era missão mudar algo no rei
O rei tão burro, lhe confessou a mudança
Esqueceu que o bobo um dia lhe dissera
“Sou irônica, sarcástica, vingativa, amo surpresas e tenho uma missão”
Ops...rs... O Bobo é mulher....
Ó Boba tua missão já está cumprida, agora ao rei resta lhe o seu amor (uma tolice).
“O espelho engana” e olhos mais ainda.

A última dança

E a louca poetisa perdeu os sentidos ao se deparar com aquele nome
Viu que seus olhos derramavam lágrimas sem controle
Olhava o pequeno inseto, naquela luz que refletia as águas em seu rosto
Pensava que aquele inseto era insignificante, aparecera ali devido a janela aberta,
O inseto procurava luz e havia achado
E assim pensou consigo: “pensei ser luz, que achara sua luz, porém esta se encontra tão longe que encontrou a luz que lhe faltava”.
“Eu sou um inseto insignificante diante dessa luz, agora vago por aí derramando gotinhas de lágrimas”.
Sentiu que seu rosto não tinha expressão, só sabia da enorme tempestade que ali dentro de seu ser se formava.
É bela pensou, seu poeta detalhava com tanta ternura e amor que era imaginável aquela moça.
Levantou-se, sentou – se, chorou, pensou, reviu seus conceitos e tornou a chorar.
Aquela noite não terminava, estava mais longa que de costume. O sono não vinha, não estava bem com tudo que havia acontecido naquela noite, com a notícia que veio tão derepente e abalou tudo.
Não queria ouvir a consciência que dizia sobre o que ela sentia naquele momento, a consciência parecia mulher inconformada com a vida, jogava tudo na cara e dizia que aquilo era dor.
Ergueu – se daquela tristeza infantil e foi olhar a lua, mas ainda assim aquele nome não saia de seus pensamentos. “Droga!”
Sentia – se mais pra baixo que um indivíduo, depois de receber não em um emprego tão
desejado.
Procurava uma razão pra não sentir aquilo, pra não ter conseguido chegar perto da luz.
Decepção... Nada justificava aquilo que sentia.
A poetisa Pequena Bailarina já ensaiava a sua última dança naquele pavilhão,
Havia uma grande incerteza em seu pequeno coração.
Sabia ela que naquele lugar sagrado a tal moça iria pisar sempre e acompanhada, coisa que ela não tinha – companhia –.
Deu corda e pôs sua caixinha no chão depois de abrir
E a canção começou, a dança começou, as lágrimas começaram, a dor começou
Um vazio tomava conta de sua alma, sua sombra não aparecia pois já era noite
Ela dançava só, numa escuridão, naquele pavilhão
Como de início, dançando em busca de luz que pensava ter encontrado
Ela dançou sua última dança.



A verdade sempre aparece.